Na medida em que recrudescem os atos de violência, os venezuelanos percebem que os artigos mais simples da constituição do país perdem qualquer valor. Manifestações legitimas encontram cassetetes e balas pela frente; casas são invadidas sem mandado; pessoas são detidas sem autorização. Nosso vizinho nortista vive hoje o império da força.
A juventude estudantil tem tentado tomar as ruas para protestar contra o governo de modo pacifico e de cara limpa, mas bandidos apoiados pela ditadura e que se agrupam sob o nome de “coletivos” aparecem atirando para matar. Esses grupos armados irregulares não são incomodados pelas forças públicas, mais interessadas em agredir e prender quem quer que levante a voz contra Maduro e suas sandices.
Em vários locais, residências e comércios são invadidos por agentes governamentais em busca de pessoas chamadas terroristas, mas que na verdade não passam de jovens assustados e que temem pela vida. Há vídeos feitos por celulares que mostram tropas de choque derrubando muros e portas sem a menor cerimonia., muito menos sem autorização judicial.
As cadeias e presídios estão abarrotadas de gente, levadas para lá sem acusação formal. Parentes têm encontrado dificuldade para achar os seus entes, trancafiados quase anonimamente em celas escolhidas aleatoriamente e em varias partes do território.
O desrespeito às garantias mínimas de vida, liberdade e propriedade é a prova maior do que quer Maduro e os seus: implantar uma ditadura sem oposição e que possa agir sem prestar contas a ninguém; que possa, enfim, gozar do poder absoluto, fazendo uso do despotismo, da crueldade, do uso excessivo da força e da autoridade.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
POLITICA SIM, POLITICALHA NÃO!
Não foram poucas as ocasiões em que pensei em tentar uma carreira na política. Sem muito cérebro ou ambição, e satisfeito com minha escolha já antiga em ser professor, no entanto, nunca arrisquei uma candidatura. E fiz bem: por todos os lados que se queira considerar, só há pontos negativos. Seria uma vida muito menos prazerosa, muito mais estressante, com a certeza de oposição sem cortesia e uma grande possibilidade de desiludir-me.
Mas ainda assim, não há como negar que Política , com P maiúsculo, é a mais urgente e necessária das profissões. As recentes atividades nas esferas do Executivo e Legislativo deixam claro que precisamos de pessoas melhores por lá, pessoas mais inteligentes, com senso moral mais aguçado e um propósito firme e sólido de promover o bem comum. E o que vemos nos desanima: altos cargos são ocupados por indivíduos interessados em si próprios, sem a mínima estatura cívica e com uma capacidade de resolver conflitos abaixo de um síndico de prédio.
Os capacitados, e não me incluo entre eles, com todas as qualidades já mencionadas, procuram opções mais lucrativas, atraentes e úteis, mais adequadas para quem é honesto e talentoso. Não querem meter-se em maracutaias, nem entrar em debates de doidos. Evitam um ambiente onde a negociata é a regra e não a exceção. O resultado é que os partidos políticos abarrotam-se de gente sem a menor condição de construir a vida política das democracias ou conduzir programas que ajudem o desenvolvimento do País.
Quando vamos às urnas, acreditamos que as pessoas de nossa escolha irão realmente fazer leis, cumprir regras, salvaguardar o interesse da nação... enfim, usar o recém adquirido poder de modo sábio para criar impostos, definir crimes e suas punições e vigiar o patrimônio público. Mas obtemos exatamente o oposto: locupletam-se , destroem, desprezam-nos e o Brasil caminha de lado, algumas vezes para traz, quando podia pontear entre as grandes nações do mundo.
Nas próximas eleições, eu votarei, claro! Mas confesso que desiludido e tentado a fazer como um amigo, que há anos tem anulado o voto.
sexta-feira, 12 de julho de 2013
UM POEMA
Funeral Blues
(W. H. Auden. Tradução de Érica Loise Tomazini)
(W. H. Auden. Tradução de Érica Loise Tomazini)
Parem o tempo, interrompam as comunicações
Com grandes ossos, façam calarem-se os cães
Silenciem os pianos e com tambores abafados
Tragam o caixão e o cortejo dos desolados
Aviões circulem sobre o horto
E escrevam no céu Ele Está Morto
Enfeitem os pombos com fitas escuras
Façam os guardas nobres figuras
Ele era meu norte, meu sul, meu leste e oeste
Minha semana de trabalho, meu prazer inconteste
Meu meio-dia, meia-noite, minha conversa e meu Fado
Eu pensava que o amor era eterno, e estava errado
As estrelas não são bem vindas agora, que as expulsem
Embrulhem a lua, o sol desmanchem
Removam o oceano e varram a mata
Eis que tudo agora servirá a nada.
quarta-feira, 26 de junho de 2013
ETIAM PER ME BRASILIA MAGNA
Nosso País tem sido o cenário de gigantescas manifestações ao mesmo tempo em que é palco da Copa das Confederações, ensaio para o evento maior da Copa do Mundo. Apesar da razão dos protestos ser confusa, um grito é sempre ouvido oriundo do barulho das ruas: há estádios de futebol brilhando de novo enquanto os hospitais e escolas estão em estado lastimável. Não há estradas, não há segurança.
Mesmo a promessa de que as cidades-sedes teriam obras de infra-estrutura para atender a demanda provocada pelo evento não foi atendida. Os novos corredores de ônibus, linhas de metrô e trens não saíram do papel. Essas cidades terão feriado para reduzir o tráfego nos dias dos jogos.
Para mim , isso demonstra claramente um nível de improvisação inaceitável para uma nação que quer ser o destino de grandes celebrações.
Nosso País tem sido o cenário de gigantescas manifestações ao mesmo tempo em que é palco da Copa das Confederações, ensaio para o evento maior da Copa do Mundo. Apesar da razão dos protestos ser confusa, um grito é sempre ouvido oriundo do barulho das ruas: há estádios de futebol brilhando de novo enquanto os hospitais e escolas estão em estado lastimável. Não há estradas, não há segurança.
Mesmo a promessa de que as cidades-sedes teriam obras de infra-estrutura para atender a demanda provocada pelo evento não foi atendida. Os novos corredores de ônibus, linhas de metrô e trens não saíram do papel. Essas cidades terão feriado para reduzir o tráfego nos dias dos jogos.
Para mim , isso demonstra claramente um nível de improvisação inaceitável para uma nação que quer ser o destino de grandes celebrações.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Vamos ter mais filhos
Inegavelmente, os padrões de vida têm aumentado no mundo ocidental. Vive-se melhor do que cinquenta anos atrás. O problema é que esse aumento vem acompanhado de um declínio nas taxas de natalidade na maioria dos países desenvolvidos. Isso pode acarretar varias dificuldades, que incluem crescimento econômico não-sustentável - devido a falta de mão-de-obra.
Varios governos têm implementado políticas de incentivo para o aumento do numero de nascimentos em seus países. E muitas dessas medidas visam encorajar os casais a terem mais filhos para terem uma vida mais significativa. Está implícito nessas campanhas que a razão para as pessoas não terem filhos é uma visão materialista da vida e preocuparem-se mais com prazeres mundanos, prazeres que envolvem puramente o egoísmo individual e o medo de perder noites de sono por causa do choro de bebês. Pode até ser verdade, mas certamente há outros fatores em jogo na baixa natalidade. O que me vem à cabeça de pronto é o maior nível de educação , um maior uso das tecnologias disponíveis para contracepção e a ideia de que , como vivem mais, a paternidade pode esperar um pouco mais.
O mundo está mesmo ficando mais rico, com crescimento econômico e avanços tecnológicos reforçando a sensação de um melhor padrão de vida. É mesmo verdade que as pessoas estão mais materialistas e não surpreende ninguém que os jovens hoje em dia estejam preocupados mais com suas carreiras e bolsos do que com a família. A noção de que o dinheiro ocupa corações e mentes das pessoas parece evidente e pode ser ilustrada pelos recentes números divulgados na Inglaterra. Lá, o total de nascimentos em 2011 foi algo em torno de 800 mil crianças. E 200 mil eram filhos de imigrantes. Isso é 1/4 dos recém-nascidos. Aqui chegamos ao verdadeiro cerne da questão: o problema não é a futura falta de trabalhadores - a tecnologia resolverá isso. A ameaça consiste em que o OCIDENTE tem diminuído sua taxa de natalidade, mas o oriente, junto com a Africa, apresentam estatísticas firmes quando se trata do nascimento de bebês.
Li em algum lugar que em 40 anos a França deixara de ser gaulesa para tornar-se uma nação de muçulmanos, se o aumento do numero de imigrantes e filhos de imigrantes mantiver nos ritmos atuais. A ideia de uma civilização que desenhou a democracia e seus valores e alicerça elementos caros à humanidade tende a desaparecer. Sei que os hamburgueres e as comedias românticas americanas parecem estar em todo lugar. Entretanto, cada vez em mais lugares no planeta pessoas ajoelham-se em direção a Meca 5 vezes por dia.
Varios governos têm implementado políticas de incentivo para o aumento do numero de nascimentos em seus países. E muitas dessas medidas visam encorajar os casais a terem mais filhos para terem uma vida mais significativa. Está implícito nessas campanhas que a razão para as pessoas não terem filhos é uma visão materialista da vida e preocuparem-se mais com prazeres mundanos, prazeres que envolvem puramente o egoísmo individual e o medo de perder noites de sono por causa do choro de bebês. Pode até ser verdade, mas certamente há outros fatores em jogo na baixa natalidade. O que me vem à cabeça de pronto é o maior nível de educação , um maior uso das tecnologias disponíveis para contracepção e a ideia de que , como vivem mais, a paternidade pode esperar um pouco mais.
O mundo está mesmo ficando mais rico, com crescimento econômico e avanços tecnológicos reforçando a sensação de um melhor padrão de vida. É mesmo verdade que as pessoas estão mais materialistas e não surpreende ninguém que os jovens hoje em dia estejam preocupados mais com suas carreiras e bolsos do que com a família. A noção de que o dinheiro ocupa corações e mentes das pessoas parece evidente e pode ser ilustrada pelos recentes números divulgados na Inglaterra. Lá, o total de nascimentos em 2011 foi algo em torno de 800 mil crianças. E 200 mil eram filhos de imigrantes. Isso é 1/4 dos recém-nascidos. Aqui chegamos ao verdadeiro cerne da questão: o problema não é a futura falta de trabalhadores - a tecnologia resolverá isso. A ameaça consiste em que o OCIDENTE tem diminuído sua taxa de natalidade, mas o oriente, junto com a Africa, apresentam estatísticas firmes quando se trata do nascimento de bebês.
Li em algum lugar que em 40 anos a França deixara de ser gaulesa para tornar-se uma nação de muçulmanos, se o aumento do numero de imigrantes e filhos de imigrantes mantiver nos ritmos atuais. A ideia de uma civilização que desenhou a democracia e seus valores e alicerça elementos caros à humanidade tende a desaparecer. Sei que os hamburgueres e as comedias românticas americanas parecem estar em todo lugar. Entretanto, cada vez em mais lugares no planeta pessoas ajoelham-se em direção a Meca 5 vezes por dia.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Assassinatos na madrugada
Drama alavancado por uma rede de corrupção tão comum em nosso país que tem até tabela de preços: X$ para expedir um alvará sem vistoria , X$ para acelerar os procedimentos, X$ para vista grossa quanto a capacidade de lotação do local e por aí vai. Somemos a isso a incapacidade da nossa sociedade de oferecer diversão de melhor qualidade em ambientes mais confortáveis. Tudo o que se tem é musica de qualidade duvidosa e álcool à vontade. E todos em pé, amontoados quase que um sobres os outros, e todos achando aquilo a melhor madrugada de suas vidas. Nos estádios de futebol não é diferente: suor e desconforto. Mas o Neymar é craque e ganha milhões. Mas o Lucas foi vendido para a Europa e ganha milhões. Mas o Felipão foi escolhido para dirigir a seleção brasileira e vai ganhar milhões. E as gentes sem moral nem para exigir uma cerveja um pouco melhor, um espaço um pouco mais amplo, um atendimento um pouco mais respeitoso.
Não, infelizmente não foi uma tragédia. Essa acontece apesar de nós. Foi um drama, e esse acontece porque somos fracos, indignos, sem amor-próprio. Fossemos cidadãos, não seriamos tão levianamente conduzidos para cabinas de votação nas quais somos levados a escolher o menos pior. Fossemos cidadãos, nossos representantes , todos e quaisquer, seriam os melhores entre nós.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
NELSON MANDELA
NELSON MANDELA
Aos 76 anos e logo após assumir como presidente da África do Sul,
Nelson Mandela disse: EU NÃO SOU O MESSIAS.
No entanto, ninguém nunca chegou tão perto. Agora aos 94 anos e
hospitalizado, recuperando-se de uma infecção pulmonar, resquícios dos
anos passados na prisão insalubre de Robben Island, Mandela verá sua
afirmação ser desmentida por toda uma nação.
O grande Madiba legou ao seu povo não só o triunfo sobre o apartheid,
mas o triunfo sobre o ódio e sentimentos de vingança, os quais seriam
vistos como "do jogo" por qualquer revolucionário. Não ! Depois de 27
anos de confinamento, ele foi em busca da reconciliação , por meio de
elaboradas negociações com as mesmas pessoas que o mantiveram cativo.
Preveniu, desse modo, uma guerra civil a qual teria custado a
dilaceração de todo o país. Foi naquele momento não um Messias , mas
um político cuja estatura e generosidade de espirito dificilmente
encontra par atualmente.
Sua qualidade maior , de olhar adiante , permitiu que ele construísse
uma ponte entre beligerância e uma sociedade compartilhada. De outro
modo: fez crível que a minoria branca e a imensa maioria negra
pudessem viver juntas depois de séculos de jugo, e miséria dessa
ultima. E , aí um pouco de Messias, que essa maioria , explorada,
vilipendiada e açoitada se aquietasse na sua fome por retaliação.
A história edificará o monumento Nelson Mandela com sua simetria
exata. A de um homem que veio para propor a paz..e conseguiu!
Aos 76 anos e logo após assumir como presidente da África do Sul,
Nelson Mandela disse: EU NÃO SOU O MESSIAS.
No entanto, ninguém nunca chegou tão perto. Agora aos 94 anos e
hospitalizado, recuperando-se de uma infecção pulmonar, resquícios dos
anos passados na prisão insalubre de Robben Island, Mandela verá sua
afirmação ser desmentida por toda uma nação.
O grande Madiba legou ao seu povo não só o triunfo sobre o apartheid,
mas o triunfo sobre o ódio e sentimentos de vingança, os quais seriam
vistos como "do jogo" por qualquer revolucionário. Não ! Depois de 27
anos de confinamento, ele foi em busca da reconciliação , por meio de
elaboradas negociações com as mesmas pessoas que o mantiveram cativo.
Preveniu, desse modo, uma guerra civil a qual teria custado a
dilaceração de todo o país. Foi naquele momento não um Messias , mas
um político cuja estatura e generosidade de espirito dificilmente
encontra par atualmente.
Sua qualidade maior , de olhar adiante , permitiu que ele construísse
uma ponte entre beligerância e uma sociedade compartilhada. De outro
modo: fez crível que a minoria branca e a imensa maioria negra
pudessem viver juntas depois de séculos de jugo, e miséria dessa
ultima. E , aí um pouco de Messias, que essa maioria , explorada,
vilipendiada e açoitada se aquietasse na sua fome por retaliação.
A história edificará o monumento Nelson Mandela com sua simetria
exata. A de um homem que veio para propor a paz..e conseguiu!
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